Carnaval do Rio: sambódromo e blocos de rua
O Carnaval carioca é o mais famoso do mundo e tem no sambódromo o seu palco principal, onde as escolas de samba do Grupo Especial desfilam entre domingo e segunda-feira com alegorias gigantescas, fantasias elaboradas e baterias que fazem o chão tremer. Os ingressos custam a partir de algumas centenas de reais, com setores numerados que variam bastante de preço — vale pesquisar com antecedência. Para quem quer viver a experiência por dentro, é possível comprar uma fantasia e desfilar como integrante de uma escola, uma vivência inesquecível que muitos visitantes descrevem como o ponto alto da viagem.
Fora do sambódromo, o verdadeiro coração popular do Carnaval está nos blocos de rua: centenas de cortejos gratuitos espalhados pela cidade, do tradicional Cordão do Bola Preta, um dos mais antigos, até blocos temáticos que reúnem multidões em cada esquina. A partir de setembro já é possível assistir aos ensaios abertos das escolas de samba, como Mangueira e Salgueiro, uma forma mais barata e autêntica de sentir a energia da festa antes da data oficial.
Salvador: a maior festa de rua do mundo
Salvador, capital da Bahia, é reconhecida pelo Guinness World Records como sede da maior festa de rua do planeta. O protagonista absoluto é o trio elétrico — enormes caminhões-palco que percorrem a cidade com bandas ao vivo tocando axé music, seguidos por multidões que dançam ao longo de quilômetros. É possível acompanhar o trio dentro de uma corda com abadá (a camiseta que dá acesso à área protegida) ou de forma gratuita como pipoca, misturado à multidão sem cordas — mais barato, mais caótico e, para muitos, mais autêntico.
Olinda e Recife: frevo, maracatu e os bonecos gigantes
No Carnaval de Olinda e Recife, em Pernambuco, o ritmo predominante é o frevo, dançado com movimentos acrobáticos e sombrinhas coloridas que os foliões giram no ar. As ruas estreitas e coloniais de Olinda ganham vida com os famosos bonecos gigantes, verdadeiras esculturas ambulantes que desfilam ao som da marchinha tradicional. O maracatu, com seus tambores hipnóticos e cortejo de realeza afro-brasileira, completa a atmosfera única da região, considerada por muitos viajantes mais intimista e cultural do que os grandes centros do Rio e de Salvador.
Ouro Preto e as repúblicas estudantis
Na histórica Ouro Preto, em Minas Gerais, o Carnaval tem um sabor diferente: as tradicionais repúblicas estudantis abrem suas portas para festas boêmias nas ladeiras de pedra da cidade colonial, misturando patrimônio histórico com uma energia jovem e despretensiosa que atrai visitantes de todo o país.
Além do Carnaval: samba, bossa nova e forró
A cultura musical brasileira não se resume ao Carnaval. No Rio, a roda de samba é celebrada em bairros como Lapa e na tradicional Pedra do Sal, especialmente às segundas-feiras, quando músicos se reúnem em rodas informais e o clima é intimista. Ipanema é berço da bossa nova: a canção Garota de Ipanema nasceu justamente em um bar da região, hoje batizado de Garota de Ipanema em homenagem à música. No Nordeste, o forró domina as pistas de dança durante todo o ano, com seu compasso inconfundível de sanfona, zabumba e triângulo.
Em junho, as festas juninas tomam conta do país, com destaque para São João em Caruaru e Campina Grande, duas das maiores celebrações juninas do mundo, cheias de quadrilhas, fogueiras e comidas típicas à base de milho.
Datas e dicas práticas
O Carnaval é uma festa móvel, com datas que variam entre fevereiro e março conforme o calendário lunar. Nos dias de Carnaval, os preços de hospedagem e passagens costumam triplicar em relação à alta temporada normal, e os hotéis nas cidades principais esgotam com meses de antecedência — o ideal é reservar com pelo menos seis meses de antecipação para garantir bons preços e localização. É importante notar que várias atrações turísticas ficam lotadas durante essa época, então é recomendável planejar com atenção e antecedência.