Um Brasil diferente: quatro estações e frio de verdade
O Sul do Brasil surpreende quem só conhece o litoral tropical do resto do país: aqui existem quatro estações bem definidas, e no inverno, entre junho e agosto, geadas e até uma fina camada branca sobre os telhados não são raridade em cidades serranas como Gramado e Canela. Essa peculiar combinação de clima europeu, arquitetura de influência alemã e italiana e paisagens litorâneas espetaculares torna o Sul um roteiro completo, ideal tanto para quem busca praia quanto para quem prefere montanha fria, vinho tinto e boa gastronomia típica.
Florianópolis: a ilha das quarenta praias
Conhecida carinhosamente como Floripa, a Ilha de Santa Catarina reúne mais de quarenta praias, cada uma com personalidade própria: a Joaquina atrai surfistas e praticantes de sandboard nas suas dunas gigantes, a Praia do Campeche impressiona pela água de tom caribenho, a badalada área da Lagoa da Conceição concentra bares, restaurantes e vida noturna, enquanto o norte da ilha, com destaque para a área de Jurerê, agrada famílias inteiras em busca de tranquilidade. Os amantes de gastronomia não podem deixar de visitar o Ribeirão da Ilha, ao sul, maior polo produtor de ostras do Brasil, onde pequenos e charmosos restaurantes à beira-mar servem o molusco fresquíssimo, colhido diretamente das fazendas marinhas próximas à baía.
Serra Gaúcha: clima alpino, chocolate e vinho premiado
A poucas horas de Porto Alegre, Gramado e Canela reproduzem um clima quase alpino, com arquitetura enxaimel, chocolaterias tradicionais e a Cascata do Caracol, uma queda d'água de mais de cento e trinta metros cercada de mata nativa. Entre outubro e janeiro, a cidade se transforma no cenário do Natal Luz, um dos maiores festivais natalinos do mundo, com milhões de luzes e espetáculos únicos que atraem visitantes de todo o continente. Próximo dali, em Bento Gonçalves, o Vale dos Vinhedos consolidou o enoturismo brasileiro: vinícolas centenárias produzem vinhos tintos encorpados e, principalmente, espumantes premiados internacionalmente, sendo possível degustar direto nas cavas ao som do sotaque típico da colonização italiana.
Curitiba: referência mundial em planejamento urbano
Não é à toa que Curitiba é frequentemente citada como modelo de urbanismo sustentável, com um sistema de transporte público pioneiro e uma rede de parques exemplar. O Jardim Botânico, com sua estufa em formato que virou ícone da cidade, e o Museu Oscar Niemeyer, apelidado carinhosamente de Museu do Olho por causa da estrutura futurista projetada pelo próprio arquiteto, são paradas obrigatórias, assim como o Parque Tanguá, esculpido em uma antiga pedreira. A partir da capital paranaense, o trem Serra Verde Express desce a serra até Morretes por um dos trajetos ferroviários mais bonitos do Brasil, atravessando a exuberante Mata Atlântica, viadutos históricos e túneis, com direito a uma breve parada para experimentar o famoso barreado, prato típico da região feito com carne cozida lentamente em panela de barro.
Blumenau: herança alemã e a segunda maior Oktoberfest do mundo
Fundada por imigrantes alemães no século dezenove, a simpática Blumenau preserva casarios enxaimel, cervejarias artesanais e tradições culinárias que remetem diretamente à Baviera. Em outubro, a cidade sedia a Oktoberfest de Blumenau, considerada a segunda maior festa da cerveja do mundo, atrás apenas da original em Munique, com desfiles, música típica, trajes tradicionais e, claro, muitíssima cerveja artesanal produzida na própria região.
Como se planejar: quando ir e como se deslocar
A porta de entrada aérea costuma ser Florianópolis (FLN), Porto Alegre (POA) ou Curitiba (CWB), dependendo do ponto de partida do roteiro. Para explorar a Serra Gaúcha, alugar um carro próprio é praticamente indispensável, já que as distâncias entre vinícolas e cidades serranas são melhor aproveitadas com liberdade de horários. A temporada de praia vai de dezembro a março, enquanto Gramado e as vinícolas funcionam bem o ano inteiro, com destaque especial para o inverno e o período natalino. Além disso, é útil lembrar que, diferentemente do restante do Brasil, o Sul pode registrar temperaturas próximas de zero grau em julho, então casacos, cachecóis e roupas de frio são essenciais nessa época do ano, especialmente à noite, quando a temperatura despenca rapidamente após o pôr do sol.